Neste Blog rendemos a nossa homenagem aos Gestores e Agentes Policiais que, apesar das dificuldades internas, das leis brandas, do enfraquecimento da autoridade, dos salários baixos, do fracionamento do ciclo policial e das mazelas do Judiciário que discriminam e alijam as forças policiais do Sistema de Justiça Criminal impedindo a continuidade e a eficácia dos esforços contra o crime, dedicam suas vidas na proteção do cidadão, na preservação da ordem pública e na defesa do povo, das Instituições e do Estado, em prol da almejada PAZ SOCIAL no Brasil.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

ABORDAGENS GRAVADAS

ZERO HORA 17 de dezembro de 2013 | N° 17647

ESTRADAS FEDERAIS. Abordagens da PRF serão gravadas no RS

Equipamentos estão sendo testados e serão usados a partir de janeiro



Pelo menos 20 câmeras de pequeno porte farão parte das abordagens realizadas pelos agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Rio Grande do Sul a partir de janeiro. Presas em coletes, bonés ou óculos, elas gravarão todos os passos das ações, e as imagens poderão ser usadas para comprovar a conduta do motorista e do policial.

Em teste desde a semana passada, o uso das câmeras é pioneiro no país, afirma o chefe da Comunicação Social da PRF-RS, Alessandro Castro. Se aprovado pelos policiais gaúchos, o sistema será ampliado para todo o Brasil. Até esta semana, os policiais testam cinco equipamentos, e a compra de 20 câmeras já está encaminhada.

– A ideia inicial é usar na Região Metropolitana para avaliar o comportamento do equipamento usado. Depois, ainda no primeiro semestre, deve ser estendido para o restante do Estado – explica Castro.

Com duas baterias que duram até 12 horas, sendo nove de gravação, as câmeras podem ser utilizadas em diferentes ângulos e filmam a partir do ponto de vista do policial.

– Muitas vezes, as pessoas reclamam da abordagem policial por causa das multas. Com a gravação, vamos poder saber quem tem razão – argumenta o chefe da Comunicação Social da PRF-RS.

Situações de embriaguez ao volante também poderão ter o flagrante facilitado pelo equipamento.

PRESA QUADRILHA RESPONSÁVEL POR TRÁFICO E ARMAS E DROGAS

ZERO HORA ONLINE 17/12/2013 | 07h37

Polícia desarticula quadrilha responsável por tráfico de armas e drogas no RS. Ação é realizada em 16 cidades e conta com cerca de 500 policiais civis para o cumprimento de mais de 100 ordens judiciais

Thiago Tieze

A Polícia Civil busca desarticular uma quadrilha especializada em tráfico de armas e drogas que está espalhada pelo Rio Grande do Sul. Ao todo, serão cumpridas mais de 100 ordens judiciais, que contemplam mandados de prisão temporária, busca e apreensão e, inclusive, de busca e apreensão em celas.

Nas 16 cidades onde está sendo realizada a operação, há mandados que serão cumpridos em oito presídios, nos quais encontram-se suspeitos de envolvimento com a quadrilha. A ação ocorre em Esteio, Canoas, Porto Alegre, Eldorado do Sul, Gravataí, Sapucaia do Sul, Viamão, Lajeado, Encantado, Pelotas, Júlio de Castilhos, Santa Maria, Jaguari, São Sepé, Charqueadas e Osório.

A polícia mobiliza cerca de 500 agentes em mais de 170 viaturas pelo Estado. Nos dois anos de investigação e nesta terça, 52 pessoas já foram presas. Segundo o delegado Mário Souza, da 1ª Delegacia de Investigação do Narcotráfico (DIN) do Departamento Estadual do Narcotráfico (Denarc), a operação visa os chefes da organização criminosa.

— São dois anos de investigação e centenas de horas de monitoramento. Ao longo desse periodo, conseguimos ir frustrando ações desse bando, apreendendo drogas e armas pesadas, como fuzis de diversos calibres.

A expectativa do delegado é que a quadrilha sofra um duro golpe com a ação, devido às provas, que devem indiciar muitos envolvidos por crimes relacionados ao tráfico. Segundo Souza, as drogas tinham como origem o Paraguai e as armas entravam pela fronteira com o Uruguai.

A Polícia Civil já apreendeu 60 quilos de maconha, 5,5 quilos de crack e 2,5 quilos de cocaína desde o início da apuração, segundo o delegado.

domingo, 15 de dezembro de 2013

COT DA POLÍCIA FEDERAL

Fantástico COT Comando de Operações Táticas


A MATÉRIA É DE 2008

A Polícia Federal mantém um corpo paramilitar treinado como força militar em condições de ser empregada enquadrada em operações de alto risco. É importante a manutenção de uma tropa com este adestramento, justamente por exigir disciplina, obediência devida, ações sincronizadas, resposta rápida e ação livre de erros. E ainda tem gente que defende a desmilitarização das polícias, justamente quando os países mais desenvolvidos já viram que a ela é necessária, útil e muito importante na gestão, na estrutura e na ação policial.




COMENTÁRIO DE
Alberto Afonso Landa Camargo
para o Grupo ORDEM, JUSTIÇA E LIBERDADE


E enquanto querem desmilitarizar as polícias militares, as civis cada vez se militarizam mais, como bem demonstra o treinamento da "COMANDO de operações táticas" da polícia federal.

Além da palavra "COMANDO", que caracteriza os militares, canções e palavras de ordem ditas em uníssono, em forma e enquanto marcham, outras práticas tão contestadas nas polícias militares são comuns há muito tempo nas polícias civis, como bem demonstra o vídeo levado ao ar pelo programa "fantástico" da rede globo.

A cobrança, aos gritos e sem a menor sensibilidade, que o "01" faz ao "07", que está atrasado para a formatura, é esclarecedora da prática que é comum nas organizações militares que se preparam para a guerra e combates, coisas que as polícias militares já aboliram dos seus currículos.

E não só isto, pelo atraso, o coitado do "07" é punido sumariamente, sem direito ao contraditório e à ampla defesa, a pagar dez "apoios", pena agravada com mais dez pelo prosaico fato de que suas algemas não estão adequadamente presas ao cinto. E, ainda, o diligente "01" aplica mais dez apoios porque o indigitado "07" levantou do chão sem a permissão do "01".

Chega a ser contraditória, para não dizer engraçada, esta preocupação para com a desmilitarização das polícias militares, que há muito tempo abandonaram estas práticas por se assumirem como polícias, enquanto outras instituições cada vez se militarizam mais, adotando práticas que já há algum tempo foram abolidas das polícias militares.

As campanhas de desmilitarização das polícias militares, portanto, devem ser estendidas à desmilitarização das polícias civis. É o mínimo que a coerência exige!


















terça-feira, 10 de dezembro de 2013

OS ESTADOS ONDE A POLÍCIA BRASILEIRA TRABALHA MELHOR



 

Ação foi realizada em conjunto entre a Polícia Militar e a Polícia Civil (Foto: Diogo Almeida/G1-PB)

REVISTA EXAME 09/12/2013 15:59

Ou pelo menos se tem a impressão de que ela trabalha melhor: é na Paraíba que está a polícia mais bem avaliada por quem foi atendido. RS e Rio vêm em seguida


Marco Prates, de 


Policiais militares de São Paulo: em 9º lugar de aprovação do Brasil. Paraíba tem os melhores números, seguido por RS e RJ

São Paulo – As polícias militar e civil da Paraíba são as que mais deixaram satisfeitos os cidadãos que entraram em contato com ambas as corporações no último ano. O número chega a 65,6% no estado, o índice mais alto do Brasil (veja tabela com números de todo o país abaixo). Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro aparecem em seguida com as forças de segurança mais bem avaliadas.

Os dados são da Pesquisa Nacional de Vitimização, do Ministério da Justiça, lançada na última semana.

O caso do Rio é particularmente inusitado: os moradores do estado apresentam um dos três menores índices de confiança nas polícias militar e civil dentre todos os estados, mas os números são mais elevados que a média nacional quando é feita a avaliação de satisfação por quem foi de fato atendido nos 12 meses anteriores à pesquisa.

Esses números não são similares para todas as ocorrências: atingem elevados 74,3% de satisfação em acidentes de trânsito e 59,5% para roubos de carro, mas fica em 38,4% para furto de motos e 41,2% em casos de ofensa sexual.

É preciso ressaltar que a aprovação em muitos casos está mais ligada à cordialidade dos policiais (23,2%) do que à resolução efetiva dos casos por meio da recuperação de bens (5,7%) ou porque os criminosos foram presos (3,7%).

Foram entrevistados 78 mil pessoas em 346 municípios, no período de junho de 2010 a maio de 2011 e junho de 2012 a outubro de 2012.

Veja a tabela abaixo por estado:
 EstadoSatisfação com trabalho das polícias na CAPITAL (%)Satisfação com trabalho das polícias no ESTADO (%)Quão a polícia é mais bem avaliada na capital? (em pontos percentuais)
1ºParaíba8165,615,4
2ºRio Grande do Sul5564,5-9,5
3ºRio de Janeiro69,458,510,9
4ºPernambuco62,458,34,1
5ºEspírito Santo51,558,1-6,6
6ºDistrito Federal57570
7ºBahia61,456,54,9
8ºMinas Gerais62,356,16,2
9ºSão Paulo5955,63,4
10ºRio Grande do Norte65,655,110,5
11ºMato Grosso do Sul54,155-0,9
12ºSanta Catarina58,954,64,3
13ºParaná47,753,5-5,8
14ºCeará45,149,9-4,8
15ºAcre50,749,31,4
16ºRondônia40,449-8,6
17ºGoiás50,748,72
18ºMaranhão50,748,32,4
19ºSergipe54,547,86,7
20ºMato Grosso50,847,53,3
21ºAmapá46,947,1-0,2
22ºAmazonas49,146,72,4
23ºPará51,144,56,6
24ºAlagoas38,643,5-4,9
25ºTocantins4841,96,1
26ºRoraima41,441,40
27ºPiauí40,437,23,2

sábado, 30 de novembro de 2013

OPERAÇÃO RECUPERA 228 CABEÇAS DE GADO NA FRONTEIRA

ZERO HORA 30 de novembro de 2013 | N° 17630

CARLOS WAGNER

COMBATE AO ABIGEATO

Operação recupera 228 cabeças de gado

Pelo menos 120 animais ainda estão sendo reconhecidos pelos proprietários



Pelo menos 228 cabeças de gado já foram recuperadas de ladrões por uma ação conjunta da Polícia Civil, Brigada Militar (BM) e de fiscais da Secretaria Estadual da Agricultura em Itaqui, cidade da Fronteira Oeste. A quantidade recuperada é uma das maiores na longa história de enfrentamento entre abigeatários, como são conhecidos os ladrões de gado, e as autoridades policiais.

Arecuperação dos animais furtados começou em outubro, com o início do desmantelamento de uma quadrilha. A investigação prossegue, e 120 animais ainda estão em processo de reconhecimento pelos seus proprietários para ser devolvidos. Os animais foram encontrados em mãos de receptadores espalhados em várias cidades, como São Miguel das Missões, Santiago e Tupanciretã. Policiais identificaram um homem suspeito de ser o elo dos quadrilheiros com os receptadores. Os nomes dos suspeitos, porém, não foram divulgados pela polícia.

A investigação se iniciou em outubro, em Três Bocas, interior de Itaqui. Na ocasião, uma patrulha da BM parou um caminhão boiadeiro. Pela Guia de Transporte de Animais, deveriam existir 15 cabeças no caminhão. No lombo dos animais, uma suspeita: a marcação com ferro em brasa no couro teria sido adulterada.

– Os animais foram apreendidos, e o proprietário da marca original os reconheceu como sendo seus – explica a titular da delegacia de Itaqui, delegada Elisandra Mattoso Batista.

A partir desse fato, os policiais começaram a desvendar o sistema de furto montado pela quadrilha. Os ladrões furtavam gado nas fazendas da Fronteira Oeste e os levavam até a propriedade em Três Bocas. Lá, os animais eram legalizados com notas fiscais do bloco do produtor – um documento que é emitido pelo proprietário rural usado para tirar a GTA. Com mandado de busca e apreensão, os policiais descobriram na fazenda outras 60 cabeças de gado com as marcas alteradas, algumas inclusive com brinco de identificação.

– E também os ferros de marca que eram usados pelos ladrões – acrescenta Elisandra.

A delegada sabe que o abigeato se tornou um dos crimes mais antigos do Rio Grande do Sul por ser difícil reunir provas contra os ladrões. Mas Elisandra acredita que o trabalho, em parceria com a BM e os fiscais da Agricultura, é um caminho seguro para desmantelar a quadrilha.

Investigadores contam com parceria de órgãos públicos

As autoridades sabem como a quadrilha opera. Mas ainda não conseguiram reunir provas contra os receptadores. Daí que a descoberta de um homem que seria a ligação entre os ladrões e os receptadores pode representar uma passo importante na investigação. Para o sargento da BM Jorge Luís Vieira de Melo, de Itaqui, a descoberta deste bando mostra que os ladrões se profissionalizaram.

– Temos uma boa chance de acabar com o bando – aposta o sargento, um dos policiais mais experientes da regiãio.

O trabalho de investigação é auxiliado por uma verificação nos registros nos órgãos do Estado, que está sendo feita pelos fiscais da Agricultura. Por exemplo, está sendo verificado se o número de cabeças de gado declarado pelos fazendeiros confere com os animais existentes nas fazendas.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

FILA PARA CADEIA

ZERO HORA 22 de novembro de 2013 | N° 17622


JOSÉ LUÍS COSTA E ROBERTO AZAMBUJA

Operação Iceberg prende 62 na Região Metropolitana

Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico pretende fechar todas as bocas de fumo de Esteio




Uma tática arriscada e pouco usual de investigação, colocada em prática com sucesso pelo Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc) desencadeou uma operação com objetivo audacioso: acabar com o tráfico em Esteio, na Região Metropolitana.

Apartir da infiltração de dois inspetores do Denarc que viveram entre consumidores de crack, de cocaína e de maconha na cidade, foram mapeados 43 pontos de venda de entorpecentes no município, e outros 20 na vizinha Sapucaia do Sul, resultando na prisão de 62 pessoas.

Viaturas não paravam de chegar ao pátio do Denarc durante toda a manhã de ontem. Com 380 agentes e 90 viaturas, a polícia acredita ter eliminado o chamado crime organizado de rede, mantido por traficantes especializados em seis bairros de Esteio e que ganhava ramificações em outros quatro de Sapucaia do Sul.

A maioria dos detidos é de pessoas conhecidas em Esteio, de diferentes níveis sociais, como comerciantes, taxistas, motorista de transporte escolar e frentistas de posto de combustíveis, fomentando o tráfico de drogas em praticamente toda a cidade.

A ofensiva consumiu sete meses de investigações.

– Praticamente, esgotamos as bocas da cidade – afirma o delegado Heliomar Franco, diretor de Investigações do Denarc.

Conforme o titular da 1ª Delegacia de Investigações do Narcotráfico (DIN), delegado Mario Souza, eram 11 quadrilhas que se “retroalimentavam, em um esquema de parceria”:

– Conseguimos autuar em todos os níveis da organização criminosa, desde o “soldado” do tráfico até os líderes.

A coletânea de evidências convenceu o judiciário a decretar 156 mandados judiciais. A partir de agora, o objetivo do Denarc é deflagrar a segunda etapa da Operação Iceberg, chegando nos fornecedores das drogas. Uma das estratégias é obter as informações dos presos, oferecendo a eles a delação premiada – também prevista na nova lei de repressão ao crime organizado, que permite, com aval do MP e do Judiciário, até o perdão judicial.



TRÊS MESES INFILTRADOS - Dois inspetores do Denarc infiltraram-se em quadrilhas passando-se por usuários de drogas durante três meses. Eles deverão ficar afastados pelo menos um ano de operações na cidade e não deverão comparecer nas audiências judiciais. A seguir, o relato dos policiais.

AS IMAGENS - Eram câmeras ocultas, e as imagens foram sendo aprimoradas, o tipo de câmera, o posicionamento. Tinha uma viatura discreta para apoio, que sempre ficava bem longe. Tinha notebook conectado à internet. A gente fazia a filmagem e, quando era possível, voltava até lá para carregar a câmera e descarregar os vídeos.

OS HORÁRIOS - A gente chegava à cidade no começo da tarde e ficava até depois da meia-noite. Em outros dias, passava toda madrugada com eles. O horário do tráfico é inverso da vida normal. É mais intenso à noite. Pela manhã, os viciados vão dormir.

A FAMÍLIA NÃO SABIA - Apenas o delegado (Mario Souza), os diretores do Denarc e o chefe de Polícia sabiam da operação. Em casa, a gente só dizia que era um trabalho importante. Ninguém sabia de nada. Foi um serviço de alto risco.

A ALIMENTAÇÃO - Andava sempre com eles, comia o que eles comiam. Salgadinho, cerveja em bar. Precisava conquistar a confiança deles para levar a gente até os pontos de venda. Comia até na mesa do traficante. Às vezes, dava para ir até a viatura e pegar um lanche.

MOMENTOS DE TENSÃO - O delegado ficava dando apoio em uma viatura, um Palio ou um Gol velhos. Mas quando tinha de entrar em um beco, a gente saia do raio de visão dele. Era a situação mais complicada. Além disso, foram umas 10 abordagens da BM. Respondia sempre sim senhor, mão na parede, junto com os outros (viciados). Era bom para nós. Eles (viciados) achavam que éramos parceiros.

DOCUMENTOS NA CUECA - A gente só carregava dinheiro para comprar a droga e um documento da Justiça que nos autorizava a trabalhar infiltrado. Mais nada. O papel ficava sempre escondido dentro da cueca. Não podia correr riscos de ser identificado.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Parabéns, senhores policiais. Porém, gostaria de saber quanto tempo estes "presos" ficaram ou ficarão presos e condenados se os presídios estão lotados e a justiça criminal segue os mandamentos da Lei 12.403/2011, a madrinha dos bandidos? Esta matéria mostra muito bem o planejamento, o esforço, a dedicação, a coragem e o risco de morte cruel dos policiais para cumprir o dever de proteger a sociedade. Se apenas uma parcela desta atividade tivesse valor junto ao poder político, apoio nas leis e seguimento ágil numa justiça coativa, valeria a pena.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

REX3 E BRITTA

ZERO HORA 15 de novembro de 2013 | N° 17615


A nova dupla da PF. Após dois anos de carência, federais gaúchos contam com ajuda de cães


A Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Federal gaúcha apreendeu ontem 108 pacotes de cocaína na BR-101, em Torres. A droga estava escondida na cabine de uma carreta que transportava cal. A partilha de contrabando vinha da fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai. A grande novidade é que a localização do pó foi feita por um agente de quatro patas, Rex3.

Ele é um dos astros do canil da PF no Estado, após um hiato de dois anos sem nenhum cachorro. Imponente e experiente, Rex3 tem três anos. Já Britta é mais nova e faceira, serelepe em seu primeiro ano de vida.

A superintendência gaúcha da PF já teve cães de renome. O último foi Orion, um pastor alemão. Antes dele, o labrador Dinho e seu antecessor, o cocker spaniel Dart, todos aposentados em decorrência de idade e doenças. Desde 2011, os federais gaúchos estavam sem parceiros caninos – sim, os cães são vistos como agentes, ao farejar grandes partilhas de drogas.

A principal diferença agora é que o pelotão canino ganhou uma missão adicional, além da habitual detecção de entorpecentes. Britta, uma pastora alemã, é especialista em farejar explosivos. Rex3, um pastor belga malinois, continuará no rastreamento de drogas. Cada animal custa cerca de US$ 6 mil, e a ideia é de que prestem sete anos de serviço à PF. Os dois são estrangeiros, nasceram na Holanda e foram trazidos com base na tradição de bom faro desenvolvida nos canis holandeses.

Vem da Europa, também, a preocupação com explosivos. Como o Brasil se prepara para dois grandes eventos internacionais, a Copa do Mundo (em 2014) e as Olimpíadas (em 2016), a orientação é para que cada cidade envolvida nessas competições tenha pelo menos um cão especializado em detectar bombas. Eles já são 25 no Brasil, mas o número pode dobrar.



MISSÕES CANINAS

Exemplos bem-sucedidos de rastreamentos com animais

- O corpo de Joaquim Pontes Marques, três anos, foi localizado por um cão da Polícia Militar paulista. O garoto desapareceu em Ribeirão Preto e seu cadáver foi encontrado num rio na vizinha cidade de Barretos. O cachorro, chamado Apache, da raça bloodhound, levou os policiais da casa da família, em Ribeirão Preto, diretamente para um córrego. A suspeita é de envolvimento de familiares na morte do menino.

- Cães foram os principais responsáveis pelo rastreamento de sobreviventes e de cadáveres após a explosão que derrubou as Torres Gêmeas em Nova York, em 2001.

- Em 2010, na Operação Sentinela, com o apoio do pastor alemão Orion, agentes da PF apreenderam duas toneladas de maconha, em Foz do Iguaçu (PR).


Por que cães pastores são usados para guarda?

– Eles suportam bem a adversidade climática, são mais versáteis. E não há quase risco de agressividade, porque foram treinados para agir de forma passiva. Se encontram substância suspeita, estacam em frente ao objeto ou pessoa visada. Não mordem nem latem. Ficam sentados e não se movem, indicativo de que algo foi rastreado – explica o treinador da dupla canina, o escrivão federal Felipe Contino, que é também veterinário.