Neste Blog rendemos a nossa homenagem aos Gestores e Agentes Policiais que, apesar das dificuldades internas, das leis brandas, do enfraquecimento da autoridade, dos salários baixos, do fracionamento do ciclo policial e das mazelas do Judiciário que discriminam e alijam as forças policiais do Sistema de Justiça Criminal impedindo a continuidade e a eficácia dos esforços contra o crime, dedicam suas vidas na proteção do cidadão, na preservação da ordem pública e na defesa do povo, das Instituições e do Estado, em prol da almejada PAZ SOCIAL no Brasil.

sábado, 10 de março de 2012

VIGILÂNCIA ELETRÔNICA INTEGRA REGIÃO METROPOLITANA DE PORTO ALEGRE NO RS


BBB DE VEÍCULOS. Capital e região com vigilância integrada. Projeto Cerca Eletrônica prevê câmeras nos acessos de 13 municípios - zero hora 10/03/2012

Em 30 dias, o governador Tarso Genro e prefeitos da Região Metropolitana devem assinar um acordo para viabilizar um dos mais ousados projetos de combate à indústria do roubo e do furto de veículos no Rio Grande do Sul. Até o final do ano, 13 munícipios da Região Metropolitana terão entradas e saídas vigiadas por câmeras interligadas e sob o monitoramento das autoridades de segurança.

Aproposta nasceu de estudos do Consórcio Metropolitano, organismo criado no ano passado pela Associação dos Municípios da Grande Porto Alegre (Granpal) para desenvolver programas de melhorias em conjunto, e deve custar mais de R$ 10 milhões.

No princípio, foram previstas 96 câmeras nas 11 cidades que integram a entidade (Alvorada, Cachoeirinha, Canoas, Esteio, Glorinha, Gravataí, Nova Santa Rita, Santo Antônio da Patrulha, Sapucaia do Sul, Viamão e Porto Alegre), mas o número será ampliado com a adesão de São Leopoldo e Novo Hamburgo, a pedido da Secretaria da Segurança Pública.

Chamado de Cerca Eletrônica, o projeto consiste em monitorar por meio de câmeras a circulação na região. A passagem de veículos furtados ou roubados acionará alarmes nos postos policiais próximos. Os equipamentos eletrônicos também armazenarão imagens em um banco de dados para análise de movimentações suspeitas.

A partir desses estudos, a ideia é poder reprimir outros tipos de crimes como assaltos a banco, a partir de estudos das placas dos carros usados pelos ladrões e até a clonagem dos veículos (veja quadro). Estão previstas instalações de centrais de controle na sede da Secretaria da Segurança, da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e em alguns dos municípios.

– Será realizado um trabalho de inteligência, de análise comportamental dos veículos. É mais uma ferramenta para auxiliar as polícias – afirma Alberto Kopittke, diretor-executivo do Consórcio Metropolitano, idealizador do projeto.

Os detalhes da Cerca Eletrônica ainda são desconhecidos porque os estudos estão em fase final por técnicos da Granpal, da PRF e do Departamento Estadual de Trânsito. O projeto se espelha em experiência anterior em Indaiatuba, na região metropolitana de São Paulo, onde resultou em uma queda de 70% dos roubos e furtos de veículos.

sexta-feira, 9 de março de 2012

EXPLOSIVO APREENDIDO


Homem é preso com dinamite no Interior - ZERO HORA 09/03/2012

Polícia suspeita que material seria vendido a quadrilhas que atacam banco
Policiais da Delegacia da Polícia Civil de Caçapava do Sul apreenderam ontem 22 quilos de dinamite, separadas em 105 bisnagas. Os explosivos estavam com Daniel da Silva Sacol, 20 anos, que carregava parte do produto em uma mochila.

A prisão ocorre em meio a uma sequência de ataques com explosivos no Rio Grande do Sul. Somente entre a madrugada de domingo e a de segunda-feira, pelo menos quatro agências e postos bancários foram alvo de bandidos.

Em dois casos, na Serra (em Ipê) e na Região Metropolitana (em Sapucaia do Sul), os ladrões destruíram os estabelecimentos com dinamite.

O suspeito foi pego quando entrava em um táxi na Rua Domingos Dutra Faria, no bairro Aviação. A suspeita da polícia é de que o produto seria vendido para quadrilhas que o utilizam na explosão de caixas automáticos de bancos. Quando foi flagrado, o jovem não ofereceu resistência e apontou que o restante da dinamite estava na casa de um comparsa, não localizado até a tarde de ontem.

De acordo com a delegada Fabiane Bittencourt, a quantidade de dinamite encontrada com Sacol seria capaz de explodir três quadras, e estaria avaliada em R$ 10 mil. Sacol já vinha sendo investigado pela Polícia Civil de Caçapava do Sul por suspeita de furto de explosivos de uma mineradora da cidade. O crime teria ocorrido há cerca de um mês. Um inquérito foi aberto e deve ser concluído em 10 dias.

– Eles (os dois) responderão por posse de material explosivo – explicou a delegada.

Sacol foi recolhido, ainda ontem, ao Presídio Estadual de Caçapava do Sul.

AÇÃO EM ÁREAS DE ASSALTOS NA FREEWAY

Cinco detidos em área de assaltos na freeway - ZERO HORA 09/03/2012

Quatro pessoas foram presas e um adolescente de 17 anos apreendido ontem durante operação conjunta da Brigada Militar (BM) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na zona norte de Porto Alegre, onde houve apreensão de drogas, armas e até de um carro blindado. A ação procurava suspeitos de tráfico de drogas que atuam na Vila Dique, próximo à freeway, área onde há registro de ataques a motoristas parados nos congestionamentos.

Pelo menos dois casos de ataques a motoristas foram registrados em fevereiro, conforme a PRF, no trecho entre os kms 88 e 90. As investidas são feitas por bandidos armados, conforme o chefe interino da Comunicação Social da PRF, João Antônio Brasil, mas não foi confirmado se o grupo é responsável pelos ataques.

Armas foram encontradas em uma casa na Vila Dique durante a ação policial, como uma espingarda calibre 20 e um revólver calibre 32, além de munições de vários calibres, toucas-ninja, drogas (buchas e papelotes de maconha, cocaína e crack) em quantidade não confirmada, uma balança de precisão e um Golf blindado. De acordo com a BM, o veículo, com placas de São Paulo, estaria sendo usado pelo suspeito apontado como chefe do grupo, Nilson José Fender, 30 anos, que estava na residência.

– Ele usava o carro blindado para se proteger – disse o major Sérgio Augusto Bonfanti, chefe da Inteligência do Comando do Policiamento da Capital (CPC).

A blindagem do Golf é profissional, confirmou a BM. Os vidros do veículo, por exemplo, têm dois dedos de espessura, garantiu um policial. Entre o material apreendido, também havia 250 DVDs piratas e 25 cartelas de Viagra.

quinta-feira, 8 de março de 2012

GCM DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS RECEBE BASE MÓVEL - UMV



Hoje pela manhã, a Prefeitura Municipal entregou as chaves da Unidade Móvel de Videomonitoramento, viatura 1144 da Guarda Civil Municipal de São José dos Campos. Elvis de Jesus, Inspetor Regional de GCM. SJCampos - Portal Miliciano Municipal 08/03/2012

A UMV é um veiculo furgão teto alto, marca Citroën Jumper, motorização a diesel 2.200 cc, com 10 M3 de área útil, foi adquirida por licitação pública com considerável redução de custo final para a Administração Municipal, após a aquisição elaboramos o Termo de Referência para a aquisição, integração e operacionalização de solução tecnológica de video monitoramento embarcado, que permitisse a visualização de imagens, gravação na UMV e transmissão em tempo real a um determinado servidor com plataforma de internet e intranet, conluida a fase de estudos e planejamentos o edital foi publicado pela Prefeitura Municipal e contou com o apoio e acompanhamento técnico de nossa equipe de GCM para escolha de empresa integradora de sistema, posterior a licitação nos empenhamos na fiscalização semanal para emissão dos laudos de conformidade técnica, todos os equipamentos especificados e fornecidos atendem as "Normas Militares Standart: C,D e E", tendo em vista a multiplicidade de missões a serem realizadas pela UMV e sua equipe de profissionais da GCM.

A UMV possui uma câmera speed dome de 36X no zoom digital e 12X no zoom óptico, não possui sistemas de correias ou cabos, é uma camera especialmente desenhada para situações criticas, tem suporte IP (Internet Protocol) para envio de imagens via internet para servidores e computadores previamente habilitados, mastro pneumático de oito metros, acionado por compressor sem tanque e sem uso de fluido hidraulico, monitor LED de 27", baterias maritimas de 150 Ampêres, transmissor de imagens e posionamento global operadando em rede privada no modo GPRS e EDGE, inversor de tensão elétrica de 3.000 Watts, estabilizadores de tensão elétrica, no-break para dez horas de utilização continua do sistema de monitoramento e gravação de imagens, microcomputador com 2 Teras de HD, memória RAM de 8 GB e gravador de DVD, sinalizador acústico visual na parte frontal e traseira por barramento de leds de alto brilho, a especificação seguiu estritos parametros técnicos de Segurança Pública.

Para conforto dos GCM empregados na UMV foi instalado banco tipo baú com três almofadas e encostos estofados, armário aéreo embutido para a guarda de pertences pessoais, ar condicionado modelo split de 9.000 BTUs para refrigeração da área de monitoramento, iluminação interna distribuida em quatro pontos por spots de led branco, revestimento anti frio e calor, revestimento acústico, piso laminado em material sintético de fácil higienização, cadeiras ergonômicas e toldo lateral.

A UMV deverá operar em apoio nos eventos, locais com grande fluxo de pessoas, praças públicas, situações criticas e locais que demandem de monitoramento de imagens em distância segura (Acidentes com gases e produtos químicos).

Trabalhamos nesse projeto desde sua concepção, passamos pela fase de pesquisas, estudos de cases, projeto de lay out, projeto de ergonomia, projeto de isolamentos, sistemas eletrônicos, desenho de software especifico para operações embarcadas, elaboração do edital, acompanhamento técnico de integração e operacionalização, é uma fase que concluimos nessa data, mas que nasceu a um ano, demandou de esforços de equipe.

A UMV é certamente um diferencial na prestação de serviços a nossa comunidade, é um diferencial na nossa Instituição, os Guardas Civis Municipais passam a ter um referencial nas operações de segurança e proteção dos grandes eventos que acontecem na cidade de São José dos Campos, estarão abrigados das intempéries e da exposição desnecessária no caso de precisarem descansar durante a jornada de trabalho nesses locais.

É interessante frisar que em virtude de termos desenvolvido todas as etapas do projeto, termos buscado fornecedores e parceiros para a venda de meios materiais e prestação de serviços, conseguimos reduzir consideravelmente o valor que seria destinado inicialmente para investimento em uma viatura desse tipo, é um retorno que damos a nossa Administração Municipal que tem nos tratado com respeito e feito investimentos em todos os setores da nossa GCMSJC, temos orgulho de ser GCM e sempre fazer o melhor em prol de nossa Corporação, "Proteger & Servir"!!!

segunda-feira, 5 de março de 2012

VIGILÂNCIA EFICIENTE

EDITORIAL ZERO HORA 05/03/2012

A conjugação da tecnologia com a competência profissional garantiu a prisão em flagrante de um assaltante no centro de Porto Alegre, na semana passada, e ainda proporcionou visibilidade à Polícia Militar do Rio Grande do Sul. Responsável pelo plantão da madrugada no serviço de videomonitoramento das ruas centrais, o soldado Fábio Pena de Moraes percebeu um homem em atitude suspeita e passou a acompanhá-lo. Quando viu que ele buscava uma vítima, alertou seus colegas que faziam a ronda. E gravou as imagens amplamente divulgadas pelos meios de comunicação, especialmente pela internet: o bandido cerca a vítima, desfere-lhe um potente soco no rosto, fazendo-a desmaiar, e saqueia seus bolsos e sua mochila na maior tranquilidade. Porém, quando começa a se afastar, é abordado por policiais que chegam em duas viaturas. As cenas gravadas convenceram o delegado de plantão a encaminhar o delinquente para o Presídio Central.

O que fica do episódio? Fica, principalmente, a ideia de que a vigilância por câmeras pode ser eficaz para reduzir a criminalidade e para garantir a segurança da população em locais públicos. Um parque como a Redenção, por exemplo, poderia se tornar bem mais seguro para seus frequentadores se fossem colocadas câmeras de vigilância em pontos estratégicos – e, evidentemente, se o controle eletrônico fosse complementado por policiais atentos e disponíveis para agir.

A presença de câmeras já é suficiente para desestimular os assaltantes, mas o equipamento só cumpre com eficiência sua função quando recebe manutenção adequada e acompanhamento do olhar humano. A polícia não pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo, mas pode chegar com rapidez onde se faz necessária. Vale a pena investir os recursos do contribuinte nesta alternativa eficiente e civilizada.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - A vigilância por CFTV é importante, mas esta ferramenta apenas complementa a atividade do aparato policial nos aspectos preventivo e repressivo. Por este motivo, o SISTEMA DE JUSTIÇA CRIMINAL precisa envolver e integrar os demais instrumentos responsáveis pela paz social para comprometer os agentes, desburocratizar as ligações, agilizar os processos, controlar as ações e desenvolver políticas de investimento em pessoal, tecnologia e condições de trabalho, além de fortalecer o sistema com leis rigorosas, justiça aproximada e penas temidas.

PERÍCIA CRIMINAL - REFORÇO E INVESTIMENTOS

Governo federal foca no reforço à perícia criminal e vai investir na área. Renata Mariz - CORREIO BRAZILIENSE, 04/03/2012 09:57

A frase é pronunciada com revolta e perplexidade. “O corpo fala. A gente assiste ao CSI e vê que um cabelo, resto de pele debaixo da unha, tudo pode ajudar a solucionar um crime”, afirma Edglemes José dos Santos. Alagoano de 51 anos, ele descobriu da pior forma possível que a perícia no Brasil está muito longe do seriado americano de maior sucesso nos últimos tempos. Dias depois de enterrar o filho mais velho, Erick, de 24 anos, em janeiro, teve de autorizar a exumação do corpo para a retirada de duas balas, que seriam confrontadas com armas de suspeitos. “Deixar meu menino com os tiros porque não havia um aparelho de raios X? Que absurdo!”, revolta-se. As condições de penúria dos setores de perícia não só em Alagoas, mas nos quatro cantos do país, levaram o Ministério da Justiça a priorizar a área, de forma inédita, no Plano de Combate aos Homicídios, quase pronto para ser lançado.

“Vamos manter a essência da segurança com cidadania, mas com um enfoque diferente. Queremos dotar os estados de laboratórios e toda a infraestrutura necessária para que os peritos possam trabalhar”, adiantou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, sem revelar detalhes da proposta. Documentos que ajudaram a convencer Cardozo da necessidade de investimentos nas perícias mostram, por exemplo, que o efetivo em todas as regiões do país é precário (veja arte). Enquanto a Associação Brasileira de Criminalística (ABC) recomenda 20 profissionais por 100 mil habitantes, o número não chega a três em locais como Alagoas, Ceará e Maranhão. Só o Tocantins alcança o patamar sugerido, com 30 peritos por 100 mil habitantes. “Se não for parente do prefeito, o cidadão que morre no sertão, lá no interior de muitos estados, não terá um perito criminal para fazer os exames”, diz Iremar Paulino, presidente da ABC.

A matéria completa você lê na edição impressa do Correio Braziliense deste domingo (4/2).

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Veja o contrassenso. Enquanto os Estados federados, entre eles o Rio Grande do Sul, sucateiam e dividem suas polícias estaduais, tirando da estrutura policial civil (investigativa) o segmento pericial (perícia criminal), a União mantém este importante instrumento dentro da organização Polícia Federal. Assim, a Polícia Federal se fortalece e as Polícias Estaduais ficam desmobilizadas e enfraquecidas diante do crime.

domingo, 4 de março de 2012

EMERGÊNCIA 190 - ALÔ, É DA POLÍCIA?


Cobrança foi a palavra de ordem da PM do Rio para reduzir em até quatro vezes o tempo de espera no serviço de ligações de emergência para o número 190 - por Caio Barretto Briso. REVISTA VEJA RIO, 21 de Dezembro de 2011

Poucos são os cariocas que nunca se viram diante de uma situação em que fosse imperativo acionar a Polícia Militar. De casos menos graves, como uma festa barulhenta varando a madrugada, até um traumático assalto a mão armada, a reação imediata da vítima é pegar o telefone e teclar 190. Concluída a ligação, resta aguardar a chegada dos agentes públicos ao local. Menos mau que essa espera, sempre carregada de ansiedade, esteja cada vez menor. Um levantamento feito pela PM do Rio mostra que, ao longo deste ano, o serviço de atendimento de emergências ganhou eficácia. Enquanto em 2010 uma viatura policial demorava em média quase uma hora para ser despachada ao endereço registrado na chamada, nesta temporada o intervalo despencou para algo em torno de quinze minutos. Não se trata de coincidência nem de melhora no trânsito, mas sim do resultado de ajustes implementados no serviço, com efeitos rápidos. Um dos grandes responsáveis pela reformulação do 190 é o atual comandante da Polícia Militar fluminense, coronel Erir Costa Filho, que esteve à frente do programa entre janeiro e outubro. “Fiquei assustado com o que vi”, revela ele. “Porém, com muito trabalho conseguimos botar ordem na casa.”

A explicação da metamorfose pode ser resumida em uma só expressão: choque de gestão. Para alcançar os bons índices de agora, não houve investimento vultoso em tecnologia nem em contratação de mão de obra. Duas medidas factíveis fizeram toda a diferença: organização e, principalmente, cobrança. O serviço é dividido em etapas. Na ponta inicial, um grupo de telefonistas fica responsável por receber as ligações e fazer uma filtragem antes de repassá-las ao batalhão da PM responsável pela área da ocorrência. De lá, o policial de plantão aciona a viatura mais próxima do endereço em questão. A primeira novidade se deu exatamente nessa fase. Os batalhões passaram a ser pressionados a despachar os veículos o mais rapidamente possível, e seus comandantes começaram a receber informes diários com o desempenho dos regimentos. Assim, as unidades que demorassem mais de dez minutos nesse procedimento eram punidas com a cor amarela. Se o tempo superasse vinte minutos, elas recebiam a vermelha — falha considerada grave. Esse processo passou a ser monitorado o tempo todo por uma equipe de agentes especialmente destacados para fiscalizar o atendimento. Nos casos mais problemáticos, o próprio coronel Costa Filho telefona para o chefe do regimento e cobra mais agilidade. Apesar de ter sido nomeado em setembro para o cargo de comandante-geral da corporação, o oficial faz questão de continuar recebendo todas as informações relativas ao serviço em seu tablet, com boletins emitidos de hora em hora. “Hoje, ninguém mais ganha cartão vermelho”, comemora Costa Filho.

Outro ponto importante da reforma foi a formação de uma equipe para reunir e estudar as informações contidas nas chamadas. De posse desse levantamento, torna-se possível identificar os problemas que mais afligem os moradores, bairro a bairro (veja o quadro na pág. 25). Em Ipanema, Leblon e São Conrado, região do 23º Batalhão, o maior número de ocorrências diz respeito ao trânsito, com a predominância do item “colisão sem vítimas” — que, desde o início do mês, deixou de ser atendido pela polícia. Em Copacabana e no Leme, área do 19º BPM, as principais reclamações referem-se à “perturbação do sossego”. A barra fica bem mais pesada em Santa Cruz (27º), com a maioria das queixas alusiva a “lesões corporais”.

Principal canal entre a sociedade e as forças policiais, o sistema 190 é parte estratégica do setor de segurança pública. Seus números impressionam. Neste ano, excluído o mês de dezembro, o serviço recebeu 6,5 milhões de chamadas provenientes da região metropolitana do Rio. Para dar vazão à demanda, cuja média fica em torno de 20 000 ligações diárias, uma equipe de 204 pessoas, todas civis, reveza-se em turnos de seis horas numa sala no prédio da Secretaria Estadual de Segurança Pública, no Centro. Contratado por uma empresa terceirizada, o grupo é treinado durante dez dias antes de assumir a função, que exige dose cavalar de paciência. É preciso muito sangue-frio para não se irritar com tantas brincadeiras e xingamentos — e, sempre que possível, ainda terminar a ligação com o amistoso “A Polícia Militar agradece a confiança”.

A quantidade de trotes recebidos é um problema sério. Só neste ano já houve mais de 2 milhões de telefonemas para zombar do atendente ou passar informações propositalmente erradas. Para cada contato que de fato vira uma ocorrência, há duas dessas “ligações indevidas”, como são denominadas. “No início, eu ficava horrorizada, principalmente com as crianças, que dizem coisas inimagináveis”, conta Izaura de Almeida, há quatro anos no ofício. Infelizmente, nem sempre a troça consegue ser detectada. Já houve o caso de fecharem a Rua Conde de Bonfim, na Tijuca, e mobilizarem o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) para vasculhar todos os 64 apartamentos de um edifício, após o chamado de um morador. Três horas depois, descobriram que se tratava de uma furada. “Esse ainda é o nosso principal problema, mas em breve ele será resolvido”, aposta a coronel Edite Bonfadini, supervisora do 190. Ela ancora seu otimismo na Lei Estadual nº 5784/10, já aprovada na Assembleia Legislativa, que pune os trotes com multas cujo valor mínimo é de 200 reais. Falta apenas a sanção do governador Sérgio Cabral.

O primeiro serviço de socorro a emergências por telefone surgiu na cidade de Londres, em 1937, mais de setenta anos após a invenção do aparelho. Para facilitar a memorização, o número escolhido foi o 999. Exatamente 1 336 ligações foram recebidas logo na primeira semana de funcionamento do sistema. A primeira delas teria sido feita pela mulher de um inglês chamado John Stanley Beard. Ela estava na janela de casa, no bairro de Hampstead, quando viu seu marido ser perseguido por um ladrão. Após a polícia ser contatada, o gatuno foi preso. O sistema chegou ao Rio na década de 60. Desde então, o 190 se fixou na cabeça dos cariocas. Apesar dos avanços recentes, o coronel Costa Filho ainda não está satisfeito com o serviço por aqui. “Nossa meta é baixar para cinco minutos o tempo de despacho de uma viatura”, afirma. Tomara.

Os atendentes do serviço 999, nos anos 50, em Londres: a capital inglesa foi a pioneira no disque-emergência


Passo a passo do atendimento e as reclamações predominantes nos bairros